É possível reverter danos causados por lesões na medula espinhal? Um novo tratamento pode devolver movimentos perdidos após acidentes graves? E até que ponto a ciência brasileira está próxima de mudar o cenário de pacientes com tetraplegia?
Confira a seguir o que revelam os resultados de uma pesquisa conduzida e por que eles chamam atenção da comunidade científica.
Pesquisa brasileira indica avanço no tratamento de lesões na medula espinhal
Após um quarto de século de investigação científica, um estudo desenvolvido no Brasil apresentou resultados que indicam uma possível mudança no tratamento de lesões na medula espinhal.
A pesquisa de 25 anos é liderada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular

Proteína da placenta é a base da pesquisa
O trabalho tem como foco a laminina, uma proteína presente na placenta humana, conhecida por sua capacidade de interagir com células e contribuir para a organização de tecidos do sistema nervoso.
A partir desse estudo, foi desenvolvida a polilaminina, uma formulação experimental aplicada diretamente na região lesionada da coluna vertebral.
Segundo os pesquisadores, o objetivo é reorganizar o ambiente celular da medula espinhal, criando condições mais favoráveis à regeneração neural, algo historicamente considerado muito limitado nesse tipo de lesão.
Resultados iniciais envolvem seis pacientes
Nos testes realizados até agora, seis pacientes com tetraplegia apresentaram recuperação parcial de movimentos após o uso experimental da polilaminina.
Em alguns casos, os ganhos funcionais foram considerados relevantes do ponto de vista clínico, o que colocou novamente em debate as possibilidades de regeneração da medula espinhal.
A pesquisa ganhou maior visibilidade após a divulgação de casos acompanhados durante essa fase experimental. Um deles é o do jovem Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que ficou tetraplégico após um ferimento por arma de fogo em outubro de 2025.
Segundo informações divulgadas publicamente, ele apresentou evolução clínica após a aplicação do composto dentro de protocolo de pesquisa.
Tratamento ainda é experimental
Apesar da repercussão, os próprios pesquisadores reforçam que a polilaminina não é uma cura e não está disponível como tratamento.
O medicamento segue em fase experimental, aplicado em ambiente controlado, e os efeitos variam conforme o tipo, a gravidade e o tempo da lesão medular.
Especialistas alertam que expressões como “voltar a andar” não devem ser interpretadas como recuperação total ou definitiva, mas como ganhos funcionais observados em casos específicos.
Próximos passos da pesquisa
O desenvolvimento da polilaminina é resultado de mais de duas décadas de trabalho contínuo, envolvendo estudos laboratoriais, pré-clínicos e aplicações iniciais em humanos.
Os próximos passos incluem a ampliação dos estudos clínicos, o aumento do número de pacientes avaliados e a validação de segurança e eficácia.
Somente após essas etapas será possível discutir uma eventual incorporação do tratamento ao sistema de saúde.
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