O chefão mais procurado do México está morto — e a operação que o derrubou deixou rastros de destruição e segredos de inteligência nunca antes revelados. El Mencho, líder do poderoso Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), foi localizado, cercado e abatido em uma ação que envolveu tiroteios, armamento pesado e cooperação internacional.
Mas como exatamente as forças mexicanas conseguiram rastrear um dos criminosos mais perigosos do mundo? E quais serão as consequências imediatas para o México e para o tráfico de drogas global?
Continue a leitura e descubra todos os detalhes desta operação sem precedentes, do monitoramento estratégico até o desfecho que abalou o país.
Quem era El Mencho e o poder do CJNG
O CJNG se tornou nos últimos anos uma das organizações mais poderosas do crime organizado mexicano, controlando rotas estratégicas e operando massivamente no tráfico de drogas sintéticas e fentanil. A advogada Gabriela de Luca, especialista em políticas sobre drogas, explica que a rivalidade com o Cartel de Sinaloa molda a geografia do crime e alimenta a violência crescente no país.
O governo dos EUA ofereceu 15 milhões de dólares por informações que levassem à captura de El Mencho, enquanto no México a recompensa chegava a 30 milhões de pesos.
Como El Mencho foi rastreado
O início da caçada envolveu monitoramento de pessoas próximas ao cartel. Segundo o general Ricardo Trevilla, secretário de Defesa Nacional do México, o avanço contou com informações cruciais dos Estados Unidos, mas o trabalho de inteligência foi conduzido pelo próprio México.
El Mencho estava escondido em Tapalpa, Jalisco, território do CJNG. O grupo é conhecido por ser uma das organizações criminosas mais armadas e influentes da América Latina, rivalizando diretamente com o Cartel de Sinaloa. A localização do traficante só foi possível graças à vigilância de seu círculo íntimo e ao cruzamento de informações internacionais.
Cooperação México-EUA: como funcionou a operação

Apesar do apoio de informações dos EUA, toda a operação foi planejada e executada pelas forças federais mexicanas. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou a cooperação bilateral e classificou o CJNG como organização terrorista. A presidente Cláudia Sheinbaum reforçou a autonomia do México, ressaltando que o sucesso da operação foi resultado da inteligência nacional, com dados americanos complementares.
O confronto final: tiroteios e explosões
No domingo, 22 de fevereiro de 2026, forças especiais do Exército, Aeronáutica e Guarda Nacional cercaram o esconderijo de El Mencho. A operação contou com seis helicópteros e aviões Texan, mas o encontro com a segurança do traficante não foi fácil.
Segundo relatos oficiais, os guardas do CJNG reagiram com granadas, fuzis e até lançadores de foguetes. Em meio ao confronto, um helicóptero militar foi atingido e precisou pousar de emergência. No embate final, El Mencho e dois de seus principais seguranças foram gravemente feridos. Transportado a um hospital militar, ele não resistiu.
O saldo oficial foi de 27 agentes mortos e 30 suspeitos ligados diretamente ao cartel detidos. Antes da operação, o CJNG havia oferecido recompensas por ataques a militares.
O impacto imediato na população
No dia da morte de El Mencho, o país vivenciou cenas de caos: 252 bloqueios foram registrados em 20 estados, com veículos incendiados, prédios atacados e ruas desertas. Em Guadalajara, capital de Jalisco, ruas e comércios ficaram praticamente vazios, segundo o jornalista Enrique Blanc.
A presidente Cláudia Sheinbaum afirmou que, no dia seguinte, o México amanheceu em relativa paz, com reforço das forças armadas em rodovias, aeroportos e pontos estratégicos.
O que vem a seguir: riscos e disputas internas
Especialistas alertam que a morte de El Mencho pode gerar instabilidade dentro do CJNG, eles apontam que a sucessão de líderes criminosos frequentemente provoca picos de violência local.
Além disso, outros grupos, como o Cartel de Sinaloa, podem disputar territórios e rotas estratégicas, mantendo o fluxo de drogas ilícitas. Ou seja, a operação marca um avanço histórico no combate ao narcotráfico, mas não significa uma redução imediata da violência ou do tráfico.
A morte de El Mencho representa um marco histórico no combate ao narcotráfico no México, mas não encerra a violência nem a disputa pelo controle das rotas de drogas. O desfecho desta operação revela a complexidade e os riscos do enfrentamento ao crime organizado, lembrando que o combate às organizações criminosas exige vigilância constante e cooperação internacional.
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