Moradores de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, enfrentam um cenário jamais visto: casas destruídas, ruas completamente alagadas e bairros inteiros isolados após o maior volume de chuva registrado em fevereiro na região. Novas imagens e boletins oficiais revelam a dimensão dos danos e mostram que a situação ainda pode se agravar.
Saiba como a chuva atingiu cada bairro e o que está sendo feito para conter a tragédia – continue lendo e veja os registros impressionantes da força da natureza em Minas Gerais.
Chuvas ultrapassam recordes históricos e causam calamidade
Entre o final de janeiro e os primeiros dias de fevereiro, Juiz de Fora acumulou 584 milímetros de chuva, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O volume é quase três vezes maior que a média histórica para o mês e supera em 27% o recorde anterior, registrado em 1988. O principal rio da cidade, o Paraibuna, transbordou, invadindo grandes áreas urbanas.
A prefeita Margarida Salomão decretou estado de calamidade pública, nesta nesta terça-feira (24), válido por 180 dias. Pelo menos 16 pessoas morreram, 440 estão desabrigadas e as aulas na rede municipal foram suspensas. Diversos bairros permanecem ilhados, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar realizam resgates e monitoram áreas de risco geológico.

Vítimas, desaparecidos e infraestrutura prejudicada
O cenário emergencial inclui mais de 40 ocorrências graves, entre soterramentos, desmoronamentos, bloqueios de vias e quedas de árvores. Hospitais priorizam o acolhimento de vítimas, enquanto operações com cães de busca concentram esforços para localizar desaparecidos e retirar famílias de áreas de risco.
No bairro Parque Burnier, cerca de 17 pessoas permanecem desaparecidas, incluindo crianças. Doze residências desabaram, e córregos transbordaram, formando “ilhas” entre bairros, conforme relato da prefeita.

Ubá também sofre com cheias e perdas
Em Ubá, a situação é semelhante. Uma forte precipitação de 124 milímetros em seis horas provocou o transbordamento do Ribeirão Ubá e a inundação da Avenida Beira Rio. Autoridades confirmam pelo menos seis mortes e um número ainda não definido de desabrigados. A prefeitura também decretou estado de calamidade e mantém equipes de emergência mobilizadas.
Por que o volume de chuva foi tão intenso?
Segundo o Inmet, o cenário é resultado de extremos meteorológicos associados a padrões atmosféricos, como El Niño. A combinação de massas de ar úmido vindas da Amazônia e frentes frias do Sul favoreceu precipitações muito acima da média.
Especialistas alertam que eventos como este tendem a se tornar mais frequentes devido ao aquecimento global e alterações nos regimes de circulação atmosférica. Embora ainda não seja possível atribuir o episódio exclusivamente às mudanças climáticas, fenômenos extremos já são mais comuns em cenários de maior aquecimento.

Respostas emergenciais e próximos dias
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil orientam que, diante de sinais de movimentação de terra, rachaduras ou escorregamentos, a população busque imediatamente abrigo seguro. A previsão indica mais chuva até o fim da semana, com alertas renovados para toda a Zona da Mata Mineira.
Além de Juiz de Fora e Ubá, Matias Barbosa também entrou em estado de calamidade após enchentes. A prioridade das autoridades é garantir resgates, assistência imediata e abrigo aos desabrigados.
Como ajudar e onde buscar informações
Doações de alimentos, roupas e itens de higiene podem ser feitas em pontos de coleta das prefeituras, escolas e igrejas locais. Para acompanhamento em tempo real da situação em Juiz de Fora, Ubá e região, consulte os canais oficiais do Inmet e da Defesa Civil de Minas Gerais.

A continuidade das chuvas aumenta o risco de novos deslizamentos, alagamentos e bloqueios de vias. Moradores devem redobrar atenção a alertas meteorológicos e sinais de instabilidade do solo, especialmente em áreas de encosta.
O evento evidencia a vulnerabilidade de cidades com relevo acidentado e planejamento urbano limitado diante de extremos meteorológicos. Especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas de prevenção, monitoramento e adaptação às mudanças climáticas.
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