Não foi de Washington, mas de Brasília mesmo, que veio o anúncio que pode mexer com o bolso de quem consome tecnologia no Brasil. O governo federal decidiu elevar o imposto de importação sobre mais de 1.200 produtos, incluindo celulares, televisores, computadores e componentes eletrônicos. As novas alíquotas podem chegar a 25% e já estão em vigor.
A medida, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), afeta diretamente quem pretende trocar de smartphone, montar um PC ou até mesmo empresas que dependem de equipamentos importados. Mas o que muda na prática? E por que o governo tomou essa decisão agora?
O que mudou no imposto de importação de eletrônicos
A decisão publicada pelo Ministério da Fazenda em fevereiro de 2026 alterou as alíquotas do imposto de importação para 1.252 itens. Entre os produtos afetados estão:
- Celulares e smartphones
- Computadores e notebooks
- Televisores
- Componentes eletrônicos (processadores, placas, memórias)
- Equipamentos de telecomunicações
- Máquinas e equipamentos para data centers (CPUs, servidores)
As novas tarifas variam conforme o produto, mas podem chegar a 25%. A regra vale apenas para itens que possuem fabricação nacional. Produtos sem produção no Brasil continuam com tarifa zero.
Por que o governo elevou o imposto de importação
Déficit nas contas externas
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida busca corrigir distorções que vinham pressionando as contas externas do país. Em 2025, o superávit comercial brasileiro caiu de US$ 77 bilhões para cerca de US$ 65 bilhões, enquanto o déficit em transações correntes se aproximou de 3% do PIB.
De acordo com Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, o volume de benefícios que estimulavam a importação estava gerando um desequilíbrio nas contas externas.
Proteção à indústria nacional
Outro argumento do governo é a defesa da produção brasileira. A elevação das alíquotas foi direcionada a produtos que já são fabricados no país. O objetivo é reduzir a desvantagem competitiva da indústria nacional frente a produtos estrangeiros.
Segundo dados do MDIC, as importações de alguns desses itens cresciam acima de 30% ao ano, mesmo com produção local disponível. A tarifa anterior criava uma situação em que o produto importado chegava mais barato que o fabricado aqui.
Impacto nos preços dos eletrônicos para o consumidor
O governo afirma que a medida não deve gerar impactos relevantes nos preços ao consumidor final. A justificativa é que a maioria dos produtos afetados já possui fabricação nacional.
No caso dos celulares, por exemplo, o MDIC destaca que 95% dos aparelhos consumidos no Brasil são produzidos no país, principalmente na Zona Franca de Manaus. Para insumos e peças sem produção nacional, a tarifa continua zerada.
O que dizem os importadores
Do outro lado, importadores e representantes do setor de tecnologia contestam essa visão. Segundo entidades do comércio exterior, a elevação das tarifas pode:
- Encarecer produtos ao longo da cadeia produtiva
- Aumentar custos de investimento em tecnologia
- Dificultar a modernização de empresas que dependem de componentes importados
- Gerar problemas de abastecimento em setores intensivos em tecnologia
A preocupação é que, mesmo com regimes especiais, o imposto de importação mais alto acabe sendo repassado ao preço final dos eletrônicos.

Exceções e regimes especiais: o que não muda
O governo garantiu que insumos e componentes utilizados pela indústria nacional seguem protegidos por regimes especiais, como o ex-tarifário — mecanismo que permite importar com tarifa reduzida itens sem similar nacional.
Programa Redata para data centers
Para o setor de data centers, foi criado o programa Redata, que prevê mais de R$ 7 bilhões em incentivos fiscais. Empresas que aderirem ao programa poderão importar equipamentos com tarifa zero por cinco anos, mesmo que surja produção nacional nesse período.
Janela para pedidos de ex-tarifário
O governo abriu prazo até 30 de março de 2026 para que importadores solicitem o regime de ex-tarifário nos casos em que a alíquota subiu de zero para 7%. O benefício será concedido de forma imediata, enquanto o pedido é analisado.
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