Uma mudança leve nos limites de velocidade pode causar impacto considerável, inclusive nas estatísticas de vítimas fatais. Motoristas e pedestres encaram novas implicações, e especialistas do setor emitem sinal de alerta diante da nova regra de trânsito para 2026.
Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostram que aumentar a velocidade máxima em apenas 5% pode elevar as mortes em até 20% em determinada via. A entidade reforça: decisões administrativas que flexibilizam normas precisam considerar diretamente os limites do corpo humano e suas reações a impactos.
Nova diretriz destaca limites do corpo e papel da velocidade
O estudo da Abramet, “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, surge no momento em que entra em vigor a medida provisória que permite renovar a CNH automaticamente, sem exames de aptidão física ou mental.
A associação cita que a energia de um acidente cresce de forma exponencial conforme a velocidade. O limite biológico do corpo é facilmente ultrapassado por veículos em alta velocidade, principalmente para o grupo considerado vulnerável no trânsito (pedestres, ciclistas e motociclistas).
O presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, afirma: “Quando os limites biológicos são ignorados, aumentam mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”.
Dados técnicos reforçam preocupação: velocidade e consequências
- Reduzir velocidade, mesmo que pouco, corta drasticamente o risco de morte.
- Um pequeno aumento do limite pode ser suficiente para tornar acidentes mais graves.
- Veículos como SUVs, com a frente mais elevada, oferecem risco extra a pedestres e ciclistas, mesmo andando devagar.
Em colisões envolvendo quem está fora do carro, a velocidade representa até 90% da energia transferida à vítima. Segundo o DataSUS, mais de 75% das internações hospitalares no trânsito correspondem a pedestres, ciclistas e motociclistas.
A gravidade dessas ocorrências aumenta com a combinação de limites altos, infraestrutura ruim e falta de proteção física dos usuários.

Renovação automática da CNH: quem pode e quem fica de fora
A Medida Provisória 1327/2025 trouxe o sistema de renovação automática da CNH. Em apenas uma semana, 323 mil condutores foram beneficiados, o que representa uma economia de R$ 226 milhões em taxas e custos administrativos ao evitar exames presenciais obrigatórios.
Os condutores que aderem ao Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) ganham acesso direto à renovação pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT) ou pelo portal da Senatran.
- CNH de categoria B (carros): 52% das renovações automáticas
- Categorias AB (carros e motos): 45%
- Categoria A (motos): 3%
- Profissionais categorias C e D também podem ser beneficiados
Para entrar no RNPC, não pode haver infração registrada nos últimos 12 meses.
Exceções da nova regra
Motoristas com mais de 70 anos devem procurar o Detran, mantendo a exigência de renovação presencial a cada três anos. Quem teve a validade da CNH reduzida por recomendação médica ou está com o documento vencido há mais de 30 dias também permanece fora do processo automático.
Motoristas com mais de 50 anos podem renovar automaticamente apenas uma vez, necessitando exame a cada cinco anos nos ciclos seguintes.
Mudanças no controle de saúde dos condutores preocupam especialistas
A diretriz ressalta que aptidão para dirigir está diretamente ligada ao estado de saúde e envelhecimento. Condições como doenças neurológicas, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de trauma comprometem a tolerância do corpo aos impactos e exigem avaliações médicas regulares, mesmo entre condutores experientes.
Segundo a Abramet, a flexibilização das regras sem acompanhamento clínico individualizado pode elevar estatísticas de acidentes graves no trânsito brasileiro.
Recomendações para gestores e sociedade: mais atenção, não menos
Ao consolidar informações clínicas, biomecânicas e epidemiológicas, a norma sugere que decisões sobre o tráfego nunca considerem apenas a fluidez ou conveniência administrativa.
Defende a adoção de limites compatíveis com a tolerância humana a impactos e políticas de controle permanente da velocidade, além de campanhas educativas constantes.
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