O Brasil tem apenas um filme concorrendo ao Oscar 2026 — mas a mobilização parece de uma final de Copa do Mundo. Bares, cinemas e cineclubes de todo o país estão organizando transmissões, bolões e quizzes para acompanhar a 98ª cerimônia do Oscar, neste domingo, 15 de março.
No centro dessa torcida coletiva está “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que chega à maior noite do cinema com quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco.
Os números explicam o entusiasmo: o filme brasileiro lidera a bilheteria entre todos os indicados ao Oscar, com mais de 2,4 milhões de ingressos vendidos e mais de R$ 50 milhões arrecadados, segundo dados da FILME B. Tudo isso competindo de igual para igual com superproduções milionárias de Hollywood.
O que é “O Agente Secreto” e por que o Brasil torce tanto?
Um filme autoral que conquistou o grande público
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, O Agente Secreto tornou-se um caso raro: um filme autoral que conseguiu dialogar com o grande público sem abrir mão de sua identidade estética.
Com o menor orçamento entre os dez concorrentes ao prêmio principal da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, o longa fez o que poucos esperavam: bateu bilheteria expressiva, ganhou visibilidade internacional e colocou o Brasil de volta ao centro do debate cinematográfico mundial.
As quatro indicações que colocaram o Brasil no mapa do Oscar 2026
- Melhor Filme
- Melhor Filme Internacional
- Melhor Ator — Wagner Moura
- Melhor Direção de Elenco — Gabriel Domingues (categoria inaugurada nesta edição)
O brasileiro Gabriel Domingues foi indicado pela seleção de mais de 60 atores, combinando nomes consagrados e novos talentos. Trata-se de uma categoria nova, criada pela Academia em 2024 e estreada justamente neste Oscar 2026 — o que torna a indicação ainda mais simbólica.
Brasileiros se preparam para o Oscar como se fosse Copa do Mundo
Festas, bolões e sósias de Wagner Moura
Em várias cidades do Brasil, a premiação será acompanhada coletivamente — um fenômeno que vem crescendo nos últimos anos. No Rio de Janeiro, o produtor e exibidor Cavi Borges, do Grupo Estação e da Cavideo, organiza uma grande festa cinéfila com transmissão ao vivo.
Borges realiza esse evento há 25 anos. O que começou como uma reunião pequena e improvisada na Cobal do Mytown cresceu até atingir quase duas mil pessoas no ano passado, com cinco salas lotadas e um telão no saguão.
Para 2026, a programação prevê:
- Bolão de apostas sobre os vencedores
- Quiz cinéfilo para testar o conhecimento do público
- Concurso de sósias de Wagner Moura
- Transmissão simultânea no Estação Net Rio e no Estação Net Botafogo
O efeito colateral positivo: mais gente indo ao cinema de arte
Borges observa que a mobilização em torno dos filmes brasileiros trouxe um público novo para salas que antes não frequentavam.
Pessoas que costumavam assistir apenas a blockbusters em shoppings foram às salas do Grupo Estação para ver “Ainda Estou Aqui” ou “O Agente Secreto” — e ao chegar, descobriram um universo muito maior de produções.
O produtor aponta um dado que poucos conhecem: o Brasil produz cerca de 300 filmes por ano, mas o grande público conhece apenas quatro ou cinco títulos.

O que Kleber Mendonça Filho diz sobre a repercussão
Soft power brasileiro no palco mundial
O diretor agradeceu a “energia incrível” do público e destacou as políticas públicas de incentivo ao audiovisual como parte essencial para o sucesso do filme.
Para Kleber, a presença de “O Agente Secreto” no Oscar representa uma forma de soft power brasileiro — a capacidade de o país projetar sua cultura e identidade no palco global.
Ao mesmo tempo, o cineasta reconhece o peso da expectativa. Ele já comentou publicamente sentir “medo de decepcionar” diante da enorme torcida que se formou no Brasil.
Oscar 2026: quem são os favoritos internacionais
A disputa continua aberta
Veículos especializados americanos apontam “Pecadores”, de Ryan Coogler, como possível grande vencedor da noite. ebc Já o site IndieWire, ligado ao cinema independente, colocou “O Agente Secreto” no topo do ranking entre os indicados a Melhor Filme.
Na categoria de Melhor Ator, a disputa também está acirrada. Entre os favoritos estão Timothée Chalamet, vencedor do Globo de Ouro, e Michael B. Jordan. Wagner Moura, por sua vez, chega com forte capital simbólico após também vencer o Globo de Ouro.
Ethan Hawke e a emoção das trajetórias longas
Um nome que desperta atenção é o de Ethan Hawke — um dos atores mais respeitados de sua geração que, surpreendentemente, nunca ganhou uma estatueta. Hollywood tem tradição em reconhecer trajetórias longas, e isso adiciona uma camada a mais de emoção à noite.
Por que os brasileiros se preparam para o Oscar com tanto fervor
Uma mobilização que vai além dos números
A movimentação em torno do Oscar 2026 no Brasil é diferente de tudo que o audiovisual nacional viu nos últimos anos. Nunca tantos portais, podcasts e perfis nas redes sociais acompanharam com tanta intensidade uma temporada de premiações.
Nas redes sociais, há memes, correntes de torcida e uma mobilização espontânea de cinéfilos que lembra a energia vista no ano anterior com “Ainda Estou Aqui”, quando o Brasil levou o Oscar de Melhor Filme Internacional.
O sentimento coletivo vai além de torcer por uma estatueta. Trata-se de ver o cinema brasileiro — com seus recursos limitados, sua diversidade e sua identidade própria — sendo reconhecido no maior palco do mundo.
Onde assistir ao Oscar 2026 no Brasil
A cerimônia acontece na madrugada de domingo para segunda-feira (15 para 16 de março de 2026), no Dolby Theatre, em Los Angeles. No Brasil, a transmissão pode ser acompanhada pelos canais TNT e HBO, além de plataformas de streaming como o Max.
Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, eventos presenciais em cinemas oferecem uma experiência coletiva para quem quer torcer junto.
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