Motoristas e empresas do setor de transporte enfrentam novos desafios em 2026: o preço do diesel disparou e acende o sinal de alerta para toda a economia. Em apenas 16 dias do mês, o diesel S10 já acumula alta de 19,7%, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) com base em 192 mil notas fiscais eletrônicas em todo o país.
O movimento de reajuste foi intenso. Na primeira semana de março, a alta havia sido de 8,7%, porém se intensificou de forma acelerada neste curto período. O levantamento do IBPT também revelou aumento de 17,6% no diesel aditivado. Gasolina comum e aditivada subiram 5,2% e 2,9%, respectivamente. Já o etanol seguiu em leve queda de -0,66%.
Esses aumentos impactam diretamente os custos e a operação do setor de transporte. Veja a seguir por que o diesel disparou, o que isso significa para motoristas e empresas, e como enfrentar esse desafio.
Principais motivos para o aumento do diesel
Consultores destacam que a recente movimentação do preço do diesel não é apenas reflexo da carga tributária. Segundo Murilo Barco, diretor da consultoria Valêncio Pricing, fatores macroeconômicos, como encarecimento do petróleo devido à guerra no Oriente Médio e elevação do dólar, têm forte peso na formação do preço cobrado nas bombas.
Outro ponto é a dependência do Brasil de combustível importado, pois quase 30% do diesel consumido vem do exterior. Com oscilações nas cotações do petróleo, os preços internacionais aumentam rapidamente e influenciam os valores pagos pelos consumidores brasileiros.
Papel da importação e das refinarias privadas
As refinarias privadas, caso da Refinaria de Mataripe (Bahia), controlada pela Acelen, repassaram aumentos de custos, seguindo o ritmo do mercado internacional. Mesmo após o recente reajuste da Petrobras nas refinarias, os preços médios do diesel no país ainda estão 57% abaixo da chamada paridade internacional.
Segundo relatório da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem cresceu em relação ao boletim anterior, onde era de 52%.
Essa diferença desestimula importadores, que apontam perdas ao competirem com a Petrobras. Para o presidente executivo da Abicom, Sérgio Araujo, o diesel importado chega ao Brasil até R$ 2,50 mais caro por litro que o diesel vendido pela estatal.

Sinais de restrição de oferta no mercado brasileiro
Com os preços domésticos abaixo do exterior, há risco de diminuição no volume de diesel importado a partir de abril. Esse cenário já provoca restrições de entregas para postos sem bandeira e transportadoras que atuam com compras diretas, segundo Eduardo Melo, sócio da consultoria Raion.
Postos e transportadoras que compram combustível sem contrato fixo enfrentam dificuldades crescentes para garantir o produto. Alguns grandes clientes relatam recebimento de volumes menores do que o contratado.
Tributação perdeu influência na formação de preço
Em 2022, o Congresso alterou a forma de cobrança de ICMS, tornando-a fixa e menos sensível à variação do preço final do diesel. Hoje, a alíquota está em R$ 1,17 por litro, o que torna a tributação mais previsível, mas reduz seu impacto em cenários de disparada internacional.
Além disso, as recentes desonerações de PIS e Cofins sobre o diesel, adotadas pela equipe econômica, já são consideradas insuficientes pelos especialistas diante da nova alta do petróleo. Segundo a Abicom, mesmo uma eventual isenção de ICMS para o diesel importado teria efeito limitado, diante da forte defasagem frente à paridade internacional.
Repercussões e posicionamentos
Especialistas do setor sugerem que, para evitar agravamento da restrição de oferta, a Petrobras teria de alinhar o preço à paridade internacional. Essa medida, por outro lado, pressionaria ainda mais o consumidor, impactando tanto o frete de cargas quanto o preço de alimentos e produtos para a população.
Enquanto isso, postos de combustíveis, frotistas, produtores rurais e transportadoras já pontuam dificuldades para abastecerem em condições competitivas.
O que esperar
A dinâmica de preços do diesel em 2026 tende a continuar condicionada ao cenário internacional do petróleo e à política de preços praticada pela Petrobras. O consumidor deve sentir impacto no bolso, sobretudo no transporte de cargas e produtos, refletindo em aumentos para o varejo e a indústria.
A manutenção ou redução dos preços dependerá, principalmente, do equilíbrio entre oferta de diesel importado e decisões estratégicas da Petrobras quanto ao alinhamento de preços com o mercado internacional.
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